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Título: DOENÇA DE CROHN
 DOENÇA DE CROHN
Descrição:
Doença de Crohn
 
A doença de Crohn é uma doença do sistema digestivo ainda relativamente desconhecida pela maioria da população portuguesa mas cuja incidência começa a aumentar gradualmente, particularmente nos centros urbanos.

Trata-se de uma doença crónica que pode provocar inflamação em qualquer parte do sistema digestivo mas que afecta maioritariamente a parte final do intestino delgado e o cólon.

Apesar dos sintomas serem semelhantes aos da colite ulcerosa, a doença de Crohn afecta todas as camadas da parede intestinal, enquanto que a colite ulcerosa afecta apenas a camada mais interna.

Os sintomas mais comuns deste problema são diarreia crónica, perda de peso e falta de apetite; outros sintomas podem incluir inflamações dos olhos, dores articulares, problemas de pele, fissuras e fístulas.

Uma vez que a absorção intestinal fica seriamente afectada, a doença de Crohn pode ser extraordinariamente debilitante e provocar deficiências nutricionais graves; em casos mais sérios pode conduzir à invalidez ou à morte.

Crohn afecta mais as mulheres, particularmente na faixa etária entre os 20 e os 40 anos (apesar de poder afectar pessoas de qualquer idade) e é um problema relativamente raro em pessoas de origem asiática ou africana.

De um ponto de vista médico não se conhecem as causas (existem várias teorias sobre a sua origem, sendo a mais comum actualmente de que se trata de uma doença auto-imune) e é considerada incurável. Os tratamentos médicos utilizados neste problema incluem principalmente cirurgia e/ou medicamentos anti-inflamatórios, conforme a gravidade de cada caso.

Neste artigo, escreverei sobre a abordagem macrobiótica à doença de Crohn, incluindo recomendações alimentares para a mesma. Gostaria de salientar que, na minha experiência pessoal com os pacientes de Crohn, se notam melhoras extraordinárias quando os pacientes começam a fazer uma alimentação macrobiótica e já testemunhei algumas pessoas recuperarem totalmente do problema, deixando de apresentar quaisquer sintomas.

Segundo os princípios macrobióticos a causa principal da Doença de Crohn, assim como de outras doenças inflamatórias do cólon, como a colite, é uma alimentação errada, particularmente com o consumo excessivo de lacticínios (em especial leite, iogurte, natas) e açúcar, assim como outros doces e adoçantes artificiais. Estimulantes, chocolate e especiarias podem também ser factores contribuintes importantes.

Para tratar e nalguns casos curar os sintomas da Doença de Crohn segundo os princípios macrobióticos é importante seguir a alimentação macrobiótica padrão (ver diagrama), tendo em atenção as seguintes considerações:


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Comer todos os dias a todas as refeições cereais integrais, particularmente arroz integral e millet.
É muito importante que se consumam cereais em grão em vez de farinhas e deve-se evitar completamente o uso de farinhas no forno, como pão, bolachas, tostas, biscoitos, etc. (o pão e outras “farinhas no forno” são muito mais difíceis de digerir e prejudicam imenso pessoas com problemas do foro intestinal).
Para ajudar a absorção intestinal, creme de arroz e arroz cremoso com ameixa Umeboshi (ver receitas em livros de culinária macrobiótica) são receitas excelentes.
Sopa de Miso deve ser comida diariamente para ajudar a digestão e a recriar uma boa flora intestinal; deve-se usar Miso de Soja (Hatcho Miso) ou de Cevada (Mugi Miso) não pasteurizados.
Sopas de cereais, particularmente sopas à base de arroz integral ou de millet auxiliam a absorção intestinal e evitam que se perca muito peso.
Na categoria dos vegetais devem-se evitar tomates, batatas, beringelas, espinafres, espargos. Todos os vegetais devem ser cozinhados até os sintomas melhorarem. A ideia de que pacientes com Crohn ou colite não devem comer “vegetais de verdes” é errada; apesar de nos primeiros dias estes vegetais poderem criar algum desconforto, são importantes para um bom restabelecimento da parede intestinal.
Os métodos culinários para os vegetais devem ser variados e incluem:

Saltear, cozinhar no vapor, cozer, estufar, nishime, entre outros.
Algas como kombu, wakame, arame e nori devem ser usadas regularmente para ajudar os intestinos a recuperarem a sua elasticidade normal. Particularmente benéficos são condimentos produzidos a partir de algas, como shio kombu (alga kombu cozinhada com shoyu e água) e shio nori (alga nori cozinhada com shoyu e água).
Condimentos como Gomásio (sementes de sésamo tostadas com sal), Tekka (raízes cozinhadas com Miso), e Umeboshi (pickles de ameixa) são também muito benéficos.
Um remédio por excelência para problemas inflamatórios intestinais é o Kuzu; Kuzu é uma raiz selvagem usada há séculos no Oriente com propriedades extraordinárias no que toca a problemas digestivos, particularmente diarreias.

No caso da Doença de Crohn pode tomar-se uma chávena de Kuzu com Umeboshi e Shoyu todos os dias durante 15 dias e depois cada dois dias durante mais 2 semanas (considere por favor que isto são recomendações gerais que não se aplicam exactamente da mesma forma a todos os casos).

Para preparar esta bebida – cujo verdadeiro nome é Ume-Sho-Kuzu – dilua uma colher de chá de kuzu num pouco de água fria; adicione um pouco mais de água (para perfazer uma chávena de kuzu) e leve ao lume, mexendo sempre até ficar transparente; no final adicione umas gotas de shoyu e ½ a 1 ameixa umeboshi.

Um aspecto final a considerar é que, em problemas deste tipo, se devem evitar completamente alimentos como leite de soja, iogurte de soja e outros tipos de “lácteos não lácteos”, que tendem a criar mais irritação no tubo digestivo.

Espero que o leitor não fique assustado com tantos nomes estranhos e com umas recomendações alimentares que parecem ser dificílimas de seguir; na realidade, os pacientes de doença de Crohn sentem-se tão limitados nas suas escolhas alimentares que este tipo de recomendações lhes abre enormemente as possibilidades de escolha.

Importante mesmo é ler livros de culinária macrobiótica, se possível frequentar aulas, pedir ajuda a pessoas com mais experiência nestas lides.

E, mastigar muito, muito bem: mastigar muito bem os alimentos e tudo aquilo que se nos depara na vida é uma das técnicas mais importantes para absorver melhor e evitar indigestões.

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